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SOCIEDADE E FÉ
Desde: 06/10/2016      Publicadas: 5      Atualização: 09/01/2017

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 Fé e Vida
  09/01/2017
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QUANDO SOU REALMENTE FORTE?
Por Anibal Lobão: "O quão miserável é a vida de quem necessita, para crescer e ter sucesso, contar sempre e necessariamente com a queda e miséria alheias."
QUANDO SOU REALMENTE FORTE?

O quão miserável é a vida de quem necessita, para crescer e ter sucesso, contar sempre e necessariamente com a queda e miséria alheias.

Duas equipes esportivas têm como objetivo vencer-se mutuamente, mas elas são adversárias – não inimigas. Aliás, a presença do adversário é importante para que o esporte possa ser praticado – e quanto mais forte uma equipe é, mais forte no esporte as outras devem esforça-se para ser, e isto é sempre bom, porque impulsiona para o crescimento, para a autossuperação.

Fico imaginando na vitória que necessita do aniquilamento do outro. Isto é simplesmente doentio, é patológico.

Não, um juiz não existe para ser um condenador, mas para ser alguém que zele para que a justiça possa ser feita – e se a justiça, conforme as leis vigentes, apontarem para a condenação ou para a inocência de um réu ou ré, que se condene ou se inocente. É doentia imaturidade pensar que somente me verão como alguém competente e brilhante se eu conseguir esfacelar o outro, seja em qual situação for, e isto não pode redundar em algo bom – isto redunda, de uma forma ou de outra, sempre em uma guerra, nem sempre nítida.

E as pessoas assistem a tudo vibrando, com imenso regozijo. Aliás, penso que nossos magistrados refletem a doença de nossa sociedade – uma sociedade adoentada dificilmente não irá parir membros também doentes.

Penso no coliseu romano. As pessoas doentes vibrando com os seres humanos se aniquilando – quanto mais se matam, mais a multidão delira.

Quantos anos se passaram... E o delírio pelo aniquilamento alheio continua o mesmo.

O pior é que nesta dinâmica social, as vozes que se levantam contra este espetáculo miserável, transforma-se também em inimigos a serem batidos. Estes é que são vistos como lunáticos. Quem insiste em lutar contra a desumanização do homem, este passa a ser também alguém a ser eliminado.

Sei que tais coisas ocorrem desde sempre. Mas desde sempre também pessoas mais maduras e mais lúcidas se levantaram contra estados de coisas como este. Vozes abafadas pelo alarido dominante, mas que a história, bem mais a frente, de um modo ou de outro, acabou por fazer justiça.

Espero estar contribuindo de algum modo para que essa justiça futura ocorra. Mesmo que eu permaneça anônimo nesta luta, mas ativo como penso estar hoje.

E sempre sem precisar que eu passe por cima de ninguém para ser quem sou. Até porque é somente assim que um ser humano consegue verdadeiramente realizar sua frágil e ao mesmo tempo tão rica humanidade.

O forte, que para ser forte, necessita fazer o outro sempre mais fraco até que o mais fraco seja arruinado para que seu triunfo seja completo será este realmente um forte? Penso que uma fortaleza assim seja deveras artificial. Assim, quando sou mesmo mais forte? Quando destroço o fraco? Quando dou chute em “cachorro morto”? Ou quando cuido? Ou quando me ponho ao lado?

Certa vez vi, quase sem querer, o que considero o vídeo mais horrível que já vi em toda minha vida – um homem forte espancando até a morte um morador de rua magrinho, quase sem forças, por ter se atrevido a abrir a torneira de sua garagem para pegar um pouco de água. O assassino é forte? Ou forte seria alguém que se esforçasse para ajudar o homem magrinho a deixar de ser magrinho e sem forças? E a deixar de ser um sem-teto? Uma mãe e um pai que cuidam do bebê que nasce tão vulnerável, tão indefeso, até que ele se torne adulto e caminhe e viva com suas próprias forças – isso é fortaleza.

Ser forte é não optar pelo caminho mais fácil. O caminho mais fácil é sempre aniquilar. Cuidar exige muita fortaleza. Cuidar e proteger – isto sim é ser forte. É nesse sentido que o “poder se aperfeiçoa na fraqueza” – 2Cor 12,9 – é o avesso do fratricídio bíblico em que Caim, o forte, elimina Abel, o fraco, em vez de cuidar dele.

Nossa sociedade deveria cultivar bem mais a colaboração do que a disputa e a concorrência sem fim, isto a tornaria bem mais humana do que infelizmente tem sido.

  Autor:   Anibal Lobão


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